Por Geofrei Dias
Com um cantar suave declamava ironicamente Jude as poucas pessoas que àquela sessão de filme compareceu. Na tela, “Across The Universe”. Nem as belas letras e as memoráveis canções do quarteto de Liverpool foram capazes de lotar aquele lugar. Será que as pessoas não gostam de um bom filme? Ou será que as novas modinhas fizeram todos esquecer a boa música?
Assim mais uma sessão começa. Ao som nostálgico dos Beatles, e a projeção de inigualável qualidade de uma Simple XL, dos anos 50, que dá um toque mágico ao lugar. Sentimento, somente, que talvez, as poucas pessoas que ocupam aquela imensa sala podem sentir.
Se algum dia, ao andar por aí, e inadvertidamente, encontrar uma lâmpada onde um gênio possa surgir e conceder um desejo, não hesite em pedir um lugar entre os imortais quadros que enfeitam o saguão.
Mozart, Tchaikovski, Beethoven, Johann Sebastian Bach, parecem observar e admirar os poucos que se aventurem em terras tão pouco exploradas pelos londrinenses. Os retratos dos exponenciais músicos anunciam o teor cultural daquele ambiente, fazendo com que todos recordem quão majestosa pode ser a arte.
Heróicos, assim podemos chamar aqueles que conseguem a proeza de reunir mais de que uma dúzia de pessoas em tão grandes metros quadrados que compõem aquele cenário. Para isso somente as canções de Elis Regina, na voz de uma artista local, foram capazes que alcançar tamanha façanha.
Mal sabem todos que lá está um pedaço da história de Londrina. Talvez, os cinéfilos desconheçam o fato de estarem diante do antigo projetor do Cine Teatro Ouro Verde. Aquele mesmo que marcou época, sendo considerado na década de 50, um dos mais luxuosos da América Latina, e que agora cede um pedaço de sua história ao Cine Comtour/UEL.
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Texto escrito para o jornal laboratório do curso de jornalismo da UNOPAR.


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